SEXO COM AMOR?, filme que marca a estréia no cinema do diretor de televisão Wolf Maya, é um remake de uma produção de mesmo nome feita no Chile em 2003. Se o original já era bastante irregular, imagine só esta nova versão! Sem esconder suas origens melodramáticas e televisivas, o longa é mais um pastiche de algo que poderia ter sido, desprovido de ritmo, de boas atuações ou de uma mão segura que o orientasse num caminho específico. Como resultado temos algo sem rosto nem coração, carente de qualquer maior interesse além do mero voyerismo característico do público mediano brasileiro.O longa chileno tinha como protagonista uma professora de ensino médio que estava tendo um caso com o pai de um dos alunos. Enquanto isso, ela tentava descobrir como unir verdadeiro amor ao prazer do sexo. Este personagem, vivido agora por Caroline Dieckmann (uma das poucas com algo a mostrar em cena), virou praticamente um coadjuvante. Ao invés de centrar sua atenção no desenrolar desta história, o roteirista (Rene Belmonte, de SEXO, AMOR E TRAIÇÃO e SE EU FOSSE VOCÊ) preferiu dividir o foco em diversas tramas paralelas, que ao mesmo tempo em que distraem o espectador dos erros mais evidentes, também diluem uma avaliação mais precisa, uma vez que nenhum destes "sub-enredos" é atrativo o suficiente.
O amante da professora (José Wilker, que atua como se tivesse acordado 10 minutos atrás e não soubesse onde se encontra) é um apresentador de televisão e guru sentimental. O casamento dele (com Marília Gabriela, quase numa participação especial) é um fracasso, e parece que só ele não percebe. Há também o empresário garanhão (Reynaldo Gianecchini, que após PRIMO BASÍLIO e AVASSALADORAS comprova de vez que não tem cinema nas veias) e infiel, num ataque de ciúmes pela esposa grávida (Malu Mader, discreta e com poucas opções). O núcleo cômico é proporcionado por um casal suburbano (vamos rir dos pobres!) interpretado por Eri Johnson (exagerado, como sempre) e Maria Clara Gueiros (uma comediante um tanto repetitiva, mas provavelmente subaproveitada). A sobrinha dela vai visitá-los e começa a tentar o tio. Alguma lembrança de "Lolita"? Original, não?
Idealizado para ser o "filme nacional do verão 2008", ou seja, um típico produto para consumo imediato, sem cuidado ou carinho, felizmente acabou sendo literalmente atropelado pelo superior MEU NOME NÃO É JOHNNY, um longa que também atende à certas necessidades do mercado, porém cercado de méritos que despontam facilmente numa primeira análise. SEXO COM AMOR?, por outro lado, é pura bobagem descartável, vergonhoso para um país que procura construir uma cinematografia respeitável e busca o entendimento e apoio do próprio público. Não é orgânico como um A GRANDE FAMÍLIA, muito menos relevante quanto um LISBELA E O PRISIONEIRO. É desperdício, puro e simples, e como tal deve ser tratado. Merece o lixo!
Sexo com Amor?, Brasil, 2008
(nota 3)
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